Eight millennia of continuity of a previously unknown lineage in Argentina
Oito milênios de continuidade de uma linhagem anteriormente desconhecida na Argentina
PRJEB97713
2025-09-16223 amostras (estudo)
Interpretação por IAGerado por IA
Um estudo revela uma linhagem genética desconhecida que persistiu por 8 mil anos na Argentina.
Pesquisadores analisaram o DNA de 238 indivíduos antigos da Argentina, com até 10 mil anos. Descobriram uma linhagem profunda e até então desconhecida, centrada na Argentina Central, que surgiu há cerca de 8.500 anos e permaneceu por milênios sem grandes migrações. Essa linhagem se misturou com outros grupos, como os dos Andes e do Chaco, e mais tarde se tornou predominante nos Pampas. O estudo também achou evidências de uniões entre parentes próximos no noroeste argentino há 1.000 anos.
- Uma linhagem genética desconhecida, com origem há cerca de 8.500 anos, persistiu na Argentina Central por milhares de anos.
- Essa linhagem contribuiu para três fluxos gênicos distintos: para os Pampas (após 3.300 anos atrás), para o Noroeste (com ancestralidade andina) e para o Gran Chaco (com ancestralidade de florestas tropicais).
- No Noroeste argentino, houve aumento de uniões entre parentes próximos há cerca de 1.000 anos, padrão semelhante ao dos Andes Centrais.
Interpretação das amostras
Foram analisados 223 amostras do site, com 116 linhagens paternas resolvidas. O haplogrupo Y mais comum é Q-M848 (49 amostras), seguido de Q-M3 (36). Nos haplogrupos maternos, destacam-se C1b (54), A2-x (37) e B2 (29). Esses dados confirmam a forte herança nativa americana, com linhagens paternas e maternas típicas da região andina e sul-americana.
Para entusiastas de genealogia
Para quem se interessa por ancestralidade, este estudo mostra que a Argentina Central abrigou uma linhagem antiga e duradoura, com contribuições para várias regiões. Isso ajuda a entender a complexa história genética da América do Sul e a importância de preservar dados de populações sub-representadas.
Resumo
A região central do Cone Sul da América do Sul foi uma das últimas regiões do globo a ser povoada, mas ainda está sub-representada no DNA antigo. Geramos novos dados de genoma completo de 238 indivíduos antigos abrangendo dez milênios. O mais antigo, da região dos Pampas e datado de 10000 anos antes do presente (AP), tinha afinidade genética distinta com indivíduos do Cone Sul do Holoceno Médio, mostrando que a diferenciação dos Andes Centrais e do Centro-Leste do Brasil já havia começado nessa época. Indivíduos datados de 4600-150AP descendiam principalmente de uma linhagem profunda até então não amostrada, cujo representante mais antigo é um indivíduo datado de cerca de 8500AP. Essa linhagem do Centro da Argentina coexistiu com duas outras linhagens durante o Holoceno Médio e, dentro do Centro da Argentina, essa ancestralidade persistiu por milhares de anos sem evidência de migração inter-regional. A ancestralidade do Centro da Argentina esteve envolvida em três fluxos gênicos distintos: ela se misturou aos Pampas por volta de 3300AP e tornou-se o principal componente lá após 800AP; com ancestralidade dos Andes Centrais no Noroeste da Argentina; e com ancestralidade das Florestas Tropicais e Subtropicais no Gran Chaco. No Noroeste da Argentina, houve uma taxa aumentada de uniões entre parentes próximos por volta de 1000AP, paralelamente ao padrão nos Andes Centrais. Na região do Rio Paraná, um indivíduo de 400AP com associação arqueológica Guarani agrupa-se com grupos brasileiros, consistente com a presença Guarani nessa época.